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Um ano de Portugal



Hoje completamos um ano de Portugal. Um ano de conquistas, dificuldades vencidas, caras quebradas, noites mal dormidas e olheiras no dia seguinte. Um ano de quilos ganhos por causa dos pastéis de natas e vinhos maravilhosos a 3 euros. Um ano de saudades doloridas de amigos, familiares, cheiros de fritura de aniversário infantil, barulho da janela do apartamento antigo e dos vizinhos, uns simpáticos, outros não muito. Um ano sem ver pessoas que amamos e estão longe, à distância de um câmbio cruel que dificulta o trânsito entremares. Um ano de novas amizades que brotam de cada jardim nos passeios com a Zara, na ida à Conservatória, ao Consulado, ao SEF.

Como mudamos neste ano. Fiquei mais velha. Minha filha cresceu - e muito! O marido ficou mais solidário. A mãe no Brasil mais preocupada.  

E assim a gente vai misturando os sentimentos. Orgulho de nós mesmos pela bravura e desprendimento. Paixão pelo novo país, com sua cultura, idiossincrasias, culinária, pessoas. Saudades, de novo.  Mas sobretudo alívio. Não de termos deixado o país em um momento de crise profunda. Mas por termos feito algo com nossas vidas, dando-lhes um novo recomeço. Se jogando numa estória a partir do zero, sendo novos eus em outro lugar. Esse lugar que temos no nosso coração, Portugal, nossa nova pátria.
















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